Afinal, o que é Alta-Costura?

domingo, maio 13, 2018

No universo da moda, a Alta-Costura é um verdadeiro mundo dos sonhos, onde belíssimos vestidos bordados e suntuosamente construídos à mão desfilam pela passarela, que possui um público pra lá de seleto que tem o privilégio de assistir o espetáculo. E engana-se quem pensa que a alta-costura tem a ver com o preço, tal denominação está relacionada somente à sua técnica, que se traduz no ato mais singelo de valorizar o “fazer com as mãos”. Em suma, pode ser considerada alta-costura a roupa feita de forma exclusiva, sob medida e totalmente à mão, sem a utilização nenhum processo industrial e com materiais de altíssima qualidade, somente em terra parisiense. Um vestido pode demorar semanas para ficar pronto e, pode até custar tranquilamente até uns 800 mil dólares. No universo em que a habilidade manual transcende a barreira do tempo, budget não é problema, mas a alta-costura hoje já não está mais no topo da pirâmide da moda.

História
O termo Alta-Costura – traduzido do francês Haute Couture – surgiu no século XIX e é devidamente registrado e protegido internacionalmente pela Le Chambre Syndicale de la Haute Couture (criado em 1868 por uma associação de artesãos em Paris), que um século depois tornou-se órgão da Federação Francesa de Alta-Costura e Prêt-à-Porter dos Costureiros e Criadores de Moda. Somente as marcas aprovadas e devidamente registradas neste sindicato podem utilizar a denominação e para isso, há uma série de regras as serem cumpridas, tais como, possuir ateliê próprio em que as roupas são feitas sob medida e contar uma equipe de pelo menos 20 pessoas que tenham alto nível de conhecimento em técnicas manuais para a construção das peças, e que trabalhem full time. Em 2017, 21 marcas foram autorizadas a utilizar título.
A alta-costura surgiu na época da Revolução Industrial, em resposta aos processos que estavam se tornando mais rápidos e fáceis e também em virtude da desvalorização do trabalho manual. Tudo começou com o inglês Charles Frederick Worth, que em meio ao cenário da industrialização da roupa, percebeu que era necessário dar valor à velha forma de “fazer com as mãos”. Então, em 1858 ele abriu o seu próprio atelier em Paris, mais precisamente na Rue de la Paix. Lá ele vendia suntuosos vestidos exclusivos feitos sob medida para a grande elite. 
Embora muitas marcas (inclusive brasileiras) se intitulem alta-costura elas não são, pois a técnica só é feita em Paris e a Maison precisa estar devidamente registrada no sindicato além de cumprir as regras. O que existe fora do cenário parisiense é o prêt-à-porter de luxo.
Desfiles
A alta-costura é feita somente em Paris, mas não só pelos franceses. Cada edição de desfiles da Haute Couture conta com os chamados “convidados”, que não possuem atelier na capital francesa, mas que têm o know-how da técnica para desenvolver uma coleção especialmente para a semana. Entre eles podemos citar o incrível libanês Ellie Saab, que arranca suspiros do público com vestidos pra lá de sublimes. Na edição do ano passado, que aconteceu entre os dias 2 a 6 de julho, a Semana de Alta-Costura de Paris teve até DNA americano na passarela, com as grifes Rodarte e Proenza Schouler, além de RVDK Ronald Van Der Kemp e AF Vandevorst. 
A Chanel, Maison que é membro da AC teve a Torre Eiffel como inspiração para a sua coleção. Vestidos e saias super volumosas tomaram conta da passarela, além do chapéu e do clássico tweed. Já a Dior fez referência a uma das viagens pós-Segunda Guerra mundial do seu fundador, Christian Dior, e trouxe shapes que todas as mulheres de todas as partes do mundo podem usar. A convidada Atelier Versace apostou no brilho em diferentes shapes, para várias ocasiões. O destaque ficou por conta de Viktor Rolf que colocou grandes bonecas em seu desfile, que fizeram uma alusão à realidade “que está muito estranha no momento”, segundo Rolf Snoeren, um dos diretores criativos da marca. Falei detalhadamente sobre os desfiles neste post aqui.
O destaque dos desfiles fica por conta da criatividade, que ultrapassa a nossa imaginação, já que o budget é alto e o céu é o limite. A alta-costura caminha na contramão das tendências, mas é ela que inspira todo o sistema da indústria da moda por meio das técnicas utilizadas. O que chama muito a atenção é a exclusividade e a magia do tempo que parece não passar, com a forma tão sublime de fazer roupas sem a intervenção de máquinas, o que podemos também chamar de arte!
Quem compra alta-costura?
Depois de ler sobre a sua história e entender como é feita, você deve estar se perguntando: Mas há quem compre uma roupa tão cara? A resposta é sim! A alta-costura é feita para um seleto grupo no mundo todo, que hoje conta com aproximadamente 4000 clientes. Embora muitos pensem que nesse sistema são vendidos apenas vestidos de gala, é importante esclarecer que a alta-costura também faz peças para o dia a dia. O preço varia conforme a ocasião, dentre outros fatores. Roupas de gala feitas para ocasiões especiais geralmente são mais caras. 
O mais curioso é que a alta-costura não dá lucro. Por mais cara que seja ela não sustenta as marcas que a produzem. O que as mantêm são os prêt-à-porter de luxo e seus perfumes próprios. A alta-costura tem mais a ver com empenho, história, dedicação e arte. É um resgate da moda, como se ela não sofresse com as rajadas do tempo.

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