Será mesmo o fim da era de ouro dos blogs?

segunda-feira, julho 30, 2018

Com o avanço das redes sociais, a forma de produzir e divulgar conteúdo mudou. Hoje em dia a instantaneidade sai na frente e, a cada passo novas tecnologias surgem e nos obrigam a nos adaptar aos novos formatos, se não quisermos ficar fora do jogo. No meio disso tudo, a sensação que predomina é de que as redes sociais (instagram, facebook, youtube) engoliram os blogs (lembra deles?). Mas será mesmo o fim da era de ouro dessa plataforma?

O primeiro weblog (como era chamado na época) foi criado por Jorn Barger, em 1997. De lá pra cá muitas transformações ocorreram nessa plataforma, inclusive na sua sigla, que foi encurtada apenas para “blog”. No Brasil, por volta de 2006, os blogs de moda começaram a despontar! Como exemplo vivo disso temos a Camila Coutinho, que no mesmo ano criou o Garotas Estúpidas - o primeiro blog de moda do país - que está no ar até hoje e ocupa o sétimo lugar no ranking dos 99 fashion blogs mais acessados do mundo. Além dela, temos outros grandes nomes de sucesso da área, como a Thereza Chammas, Cris Guerra, Thássia Naves, Camila Coelho, Lalá Rudge, dentre outras.
Realmente o fim dos anos 2000 se destacou como a era do ouro dos blogs, pois eles eram algo totalmente novo e original, diferente do que estávamos acostumados a ver e a consumir enquanto conteúdo. A necessidade de criar um diário virtual e de compartilhar dicas de consumo, foram os principais fatores para o grande e rápido sucesso deles. O toque pessoal de quem escreve se tornou um encanto para os leitores, e foi por isso que o blog teve uma enorme aceitação no mundo virtual, pois existe uma linguagem de proximidade com o público.
Até meados de 2009, 2010, tudo parecia ir bem para os blogs, até que as redes sociais começaram a se expandir no Brasil. Foi aí que os consumidores de conteúdo passaram a experimentar outras plataformas e, consequentemente, o acesso deles despencou. Eu vivi isso na prática. Criei o meu blog em 2010, que na época se chamava Makeup Ladies, e eu escrevia sobre maquiagem, esmaltes (uma febre da época) e lançamentos de produtos. Até 2012 o ritmo de acessos seguia o mesmo, mas em 2013 senti uma queda, e há uma explicação lógica para isso: Todos já estavam no Facebook, os mais antenados no Instagram e pra não perder os acessos, houve a necessidade de compartilhar o conteúdo que eu produzia no blog, nas redes sociais - isso se chama transmedia.
E em pleno 2018 infelizmente a leitura perdeu muito espaço. Hoje em dia tudo é imagético, a maioria das pessoas faz questão de ver uma foto ou vídeo e muitas mal leem a legenda do post que curtem. Isso é lamentável! Pra que procurar um conteúdo no Google se já tem tudo mastigado nas redes sociais? Imagina acessar um blog?! Aparentemente isso ficou pra trás.
É como disse o jornalista Pedro Doria, em seu artigo no Observatório da Imprensa, que reflete sobre o fim dos blogs:Para fazer grandes audiências, hoje, blogs precisam curvar-se ao que é viral nas redes sociais. Viral é tudo aquilo de fácil assimilação. É o sensacional. É o que causa impacto. É a emoção rápida: pode ser indignação, pode ser um riso. Mas é inevitavelmente raso”.
Mas ao passo em que os blogs precisaram se adaptar a esses novos tipos de conteúdo, já vemos outro fenômeno acontecendo: Hoje em dia o conteúdo “raso” – como se referiu Doria – já não agrada mais o leitor/espectador, que está cada vez mais exigente. Portanto, nós influenciadores precisamos usar a criatividade e o conhecimento na hora de produzir conteúdo. Ou seja, é mais um ciclo que se fecha... Seria este então o momento perfeito para criar um blog? Se você possui habilidade com texto, eu diria que sim!
Apesar das mudanças causadas pelas redes sociais, eu jamais deixei de acreditar nos blogs, de apreciar a leitura e de me dedicar à escrita. Eles continuam sendo uma poderosa ferramenta de divulgação e de aproximação entre as marcas e o seu público. O que chegou ao fim, na minha opinião, é a forma amadora de trabalhar com eles. Não basta mais fazer um diário! É necessário oferecer um conteúdo de qualidade, com planejamento, embasamento, que transmita confiança ao seu leitor e que atenda aos propósitos das marcas anunciantes. Em suma, hoje os blogs funcionam como veículos de comunicação.
Mas você deve estar se perguntando: Então o correto seria todos os influencers terem um endereço na internet? Não necessariamente! Inclusive, muitos dos nossos colegas embaixadores aqui não possuem blog, mas têm um know how incrível na produção de conteúdo, que realmente influencia no poder de decisão do seu leitor. Mas deixo aqui a reflexão de que o blog é uma plataforma de propriedade do autor, e sem a dependência de patrocínios de conteúdo. Basta entender o básico de SEO - Search Engine Optimization - que você estará entre os primeiros no ranking de buscas. Já as redes sociais não são nossa propriedade e, qualquer dia desses, elas podem acabar ou mudar completamente os seus algoritmos. Portanto, o blog é uma forma segura e fixa de produzir, compartilhar e documentar conteúdo. Ele jamais morrerá!

E você, lê blogs? O que pensa sobre o futuro deles?
*Este foi mais um artigo produzido para o portal ONDM - O Negócio da Moda, evento do qual sou embaixadora.

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